Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

Numa ilha

Muitas vezes o nosso estar é como se estivéssemos isolados e encerrados numa ilha

Vemos o sol, vemos o ar, respiramos e sentimos mas estamos isolados, completamente isolados.

Mas estamos isolados porque queremos.

Porque as ilhas podem ter barcos e mais do que isso podem ter pontes.

Os barcos são ligações eventuais que temos o contacto esporádico o olá estás bom o ir e voltar mas um estar sempre cientes do nosso isolamento.

Existem barcos grandes, existem barcos pequenos, barcos em que se anda porque não há mais nada onde andar e barcos onde se navega com prazer mas são sempre efémeros pois vão e vêem pois embora possam ser amarrados com um pequeno gesto se soltam e vogam para onde a maré ou os ventos os levam.

Também existem as pontes

As pontes podem ser muitas também

Existem as pontes ligeiras e frágeis em que até temos medo de atravessar mas que nos ligam a uma margem, estas pontes por vezes são levadas por intempéries ou porque são frágeis demais ou porque não teem a manutenção que deveriam ter tido ao longo do tempo.

Existem as pontes clássicas também tipo ponte romana que resiste a tudo e a todos e também que existem desde tempos imemoriais pontes que nem o tempo nem as tempestades apagam, podem estar maltratadas mas resistem sempre.

E falta um tipo de pontes, as que nós habitantes da ilha desejamos construir, queremos que sejam sólidas e duradouras, mas nem sempre o são, muitas experiências fazemos com imensos materiais mas umas são frágeis demais, outras pesadas demais e afundam-se outras mal planeadas e não se sustentam mas ao longo do tempo começamos a aprender, a aprender como fazer uma ponte bebendo de uma sabedoria antiga vendo como as velhas pontes eram feitas e construindo lentamente por cima dos destroços dos fracassos anteriores, não querendo fazer duas ou três pontes ao mesmo tempo e concentrando a energia e o saber numa única ponte.

E assim sim a ilha não deixa de ser ilha mas deixa de estar isolada e permite um sair e um entrar sempre que se deseje.

sinto-me : A construir
música: On an island - David Gilmour
publicado por ZePedro às 00:15
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